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quarta-feira, 15 de julho de 2009

UNIÃO HOMOAFETIVA

Talvez eu surpreenda muita gente ao declarar que sou a favor de leis que regulamentem a união entre os homossexuais.
Continuo acreditando que esse tipo de relação é contrário a natureza do homem e longe daquilo que Deus planejou para a humanidade: “Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou”. Mas a realidade é que, com lei ou sem lei, a união homoafetiva acontece cada vez mais em nossa sociedade, e os problemas decorrentes dessa união batem frequentemente às portas do Judiciário.
Não consigo imaginar Jesus indo às ruas, protestando contra a elaboração de leis que concedam direitos aos homossexuais, lutando para que eles sejam extintos da sociedade. Muito pelo contrário, penso que Jesus sentaria com essa gente, comeria com eles, ofereceria a Água da Vida, apresentaria um Amor tão grande, capaz de transformar corações que negariam a si mesmos e seguiriam o Mestre.
Será que não percebemos que enquanto lutamos contra esse povo, criamos uma barreira que os afasta cada vez mais da Verdade? Quando será que vamos entender que nossa luta não é contra carne ou sangue? É tão difícil compreendermos que a nossa maior arma é o Amor, e que esse mesmo Amor encobre multidões de pecados? Experimentamos desse Amor diariamente, mas não conseguimos transmiti-lo. Nunca, ninguém jamais o mereceu, mas de graça recebemos e devemos também de graça dar.
Um dia, alguns fariseus quiseram colocar Jesus à prova perguntando se era certo ou não pagar imposto a César. Talvez a resposta que os judeus quisessem ouvir fosse que não devessem mais pagar impostos, uma vez que eram por demais explorados pelos romanos, e se Jesus era realmente o libertador de Israel, que começasse a libertá-los dos impostos também. Mas Jesus decidiu não se ater com a questão, dando a simples resposta: “Dêem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Precisamos entender que Jesus não veio para uma revolução social ou para se tornar um líder político da época. Jesus veio para implantar seu Reino de Amor nos corações das pessoas, e para mostrar para elas que o acesso ao Pai seria possível de novo através de sua morte e ressurreição. Jesus nunca condenou ninguém, Ele apenas amou quem passava pelo seu caminho.
Talvez seja a hora dos evangélicos mudarem de lado. Chega de lutar contra a criação de leis que regulem a união homoafetiva, chega de lutar contra a legalização do aborto, ou contra as mazelas do nosso governo corrupto. Não precisamos protestar, não precisamos marchar para Jesus. Enquanto lutamos, os homossexuais continuam se casando, mulheres continuam fazendo aborto, pais continuam se voltando contra seus filhos, e filhos se voltando contra seus pais.
Está na hora de voltarmos ao primeiro Amor. Precisamos alcançar essas pessoas e amá-las de tal forma que haja transformação de vida. Pessoas transformadas pelo Espírito de Deus não se casam contra sua natureza, não fazem aborto, não se envolvem em corrupção. Pessoas transformadas têm um coração convertido a Deus e ao próximo.
Essa é a revolução que Deus espera de nós: a implantação do seu Reino através do Amor. Um Amor que converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais. Uma revolução que ocorrerá de dentro para fora, das famílias para a sociedade, de cada indivíduo até os confins da Terra. Quem sabe assim, a maldade do ser humano comece a dar lugar à bondade de Deus, e então, tudo volte a ser como era antes da nossa queda.
Mas por enquanto, vamos nos arrepender, pois o Reino de Deus está próximo.
É o que eu penso...
João Haroldo Bertrand

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Noivado...

Ver o cuidado de DEUS e maneira como ELE pensa naquilo que é melhor pros seus filhos, traz paz ao coração, traz a certeza que podemos descansar Nele, confiar no seu Poder e em seu amor.

Nós sabemos que amor não é um sentimento, amor é uma ação.
Como sabemos que DEUS nos ama?
Além da maior prova que foi ter enviado JESUS por AMOR a nós,
ELE nos proporciona momentos felizes sempre, seus feitos demonstram que ELE nos ama!

Assim como um Pai se alegra com as conquistas de seu filho, quanto mais o nosso Pai celestial, que se preocupa até com passarinhos como diz a Palavra, acha que ELE não se preocupa conosco? Somos amados por ELE, e ELE nos prova isso, sempre.

Dia 11 de junho de 2009, experimentei desse amor do SENHOR, de uma forma linda em minha vida.
Foi nosso noivado. Momento lindo, apenas o começo da nossa vida...

Obrigada SENHOR, eu vou cuidar bem do presente que o SENHOR me deu, hhhehh..



Amor:

Obrigada pelo amor, amizade, respeito, lágrimas, orações, conselhos, apoio, sonhos, abraços, viagens, risadas, beijos, conforto, canções, segurança, mãos dadas, carinho...e tantas outras coisas.

Com certeza, eu não era bem eu antes de encontrar você.


Te amo pra sempre, sua agora noiva,


Poliana Devidé.

domingo, 29 de março de 2009

CARTA DE UM JOVEM PASTOR DO ZIMBÁBUE

Diante de tanta correria com o trabalho, igreja, família, monografia, último ano de faculdade, e o meu casamento que espero concretizar no começo do ano que vem, não tenho tido muito tempo para postar textos neste blog...
Assim, resolvi colocar uma carta encontrada no escritório de um jovem pastor do Zimbábue, na África, depois de seu martírio pela fé em Cristo. Cito essa carta textualmente:

“Sou parte da fraternidade dos que não se envergonham. Tenho o poder do Espírito Santo. A sorte foi lançada. Ultrapassei a linha. A decisão foi tomada - sou discípulo dele. Não olharei para trás, não darei trégua, não diminuirei o ritmo, não retrocederei e não ficarei parado. Meu passado está redimido, meu presente faz sentido, meu futuro está assegurado. Não aguento mais vida medíocre, andar pela visão, joelhos macios, sonhos sem cor, visões amansadas, conversa mundana, doação barata e alvos minimizados.
Não mais preciso de proeminência, prosperidade, posição, promoções, aplausos ou popularidade. Não tenho de estar certo, ser o primeiro, o maioral, o reconhecido, louvado, querido ou premiado. Vivo agora pela fé, reclino-me em sua presença, ando por paciência, sou elevado pela oração e obro com poder.
Meu rosto está decidido, minha marcha é acelerada, meu alvo é o céu, meu caminho é estreito, minha estrada acidentada, meus companheiros poucos, meu Guia confiável, minha missão clara. Não posso ser comprado, dissuadido, desviado, seduzido, mudado de rumo, iludido ou atrasado. Não recuarei diante do sacrifício, não hesitarei na presença do inimigo, não me entregarei aos valores da popularidade e não perambularei no labirinto da mediocridade.
Não desistirei, não me calarei e não darei trégua até que tenha, à última medida, permanecido, acumulado, orado, pagado à vista e pregado pela causa de Cristo. Sou discípulo de Jesus. Devo ir em frente até que ele venha, doar-me até esgotar-me as forças, pregar tudo que sei, e trabalhar até que ele me detenha. E, quando Ele vier por si mesmo, não terá problema em me reconhecer [...] minha bandeira estará clara”.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

POBRES ATEUS

"Disseram-me que o ateísmo está crescendo.
Fiquei a pensar... Quem quer o mundo oco e solitário dos ateus?
Não eu!
Eu quero o mundo povoado dos cristãos, dos judeus, dos muçulmanos, dos animistas...
Quero um mundo onde a gente não esteja só.
Um mundo com anjos de pé e caídos.
De entidades, de elfos, de mística, de mágica, de mistérios...
Quero o mundo onde os tambores invoquem.
Onde a multidão de línguas estranhas dos pentecostais façam os seres da escuridão retroceder.
Quero o mundo que produziu Beethoven que, surdo, dizia ouvir a música que Deus queria escutar, a quem aplaudiu na nona.
Que produziu Shakespeare, que disse que havia mais entre o céu e a terra, do que supõe a nossa vã filosofia, e que valia morrer por amor.
Que desafiou Mozart a zombar de Deus enquanto, qual o profeta Balaão, só conseguia emitir os sons que boca de Deus entoa!
Quero o encanto catártico de Haendell gritando ALELUIA! de forma arrebatadora!
A beleza de Bach nos fazendo ver a paz da Família Eterna.
Quero mundo das lindas e majestosas catedrais e dos pregadores das praças, das esquinas, dos caminhos...
Da riqueza sonora profunda dos cantos gregorianos e dos vociferantes pregadores: convocando os homens a mudar e o Espírito Santo a se levantar contra o mal.
Quero o mundo que faça um ser humano, diante a pior das borrascas, ver o seu salvador andando sobre o mar, anunciando a possibilidade.
Aquele em que o guerreiro, diante da incerteza, se ajoelha perante o Eterno e se levanta com um brilho nos olhos, certo de que tem uma missão, um motivo para brandir a espada, porque se há de correr o sangue humano, tem de haver uma razão, que dando significado a vida o faça não temer a morte.
Um mundo de poetas e romancistas, que fazem a morte gerar vida, que contam histórias porque, em meio ao mais insano, há algo para contar, e se há o que contar, então significa; e se há como contar, então há um significante anterior, de modo que, por mais que cada leitor possa, de alguma maneira, reinventar, ninguém consegue negar que leu e, se leu, podia ser lido.
Quero a fé que faz uma menina entrar numa das melhores faculdades do país, sonhando que, um dia, tudo o que sabe ajudará um ser desprovido de tudo, num dos miseráveis cantões do planeta, a sorrir com esperança!
Quero a loucura dos missionários que abandonam tudo no presente, certos de que levarão milhares a viver o futuro.
Quem quer o socialismo frio dos ateus?
Eu quero o socialismo dos crentes que, em meio à marcha dos trabalhadores e, diante do impasse do confronto com as forças do estabelecido, grita ao megafone: companheiros, avancemos! Deus está do nosso lado!
Da ciência não quero as equações, quero o grito de "Eureka!", onde o cálculo se mistura com a revelação.
Da matemática quero a música, a certeza de que há sons no universo, que não só nós podemos cantar, mas que há quem nos ouve.
Que ouviremos a grande e última trombeta, que reunirá toda a criação para o canto da redenção.
Eu não quero capitalismo nenhum, mas prefiro o dos seres humanos que acreditavam que o trabalho é um culto ao Criador e que o seu produto tinha de gerar um mercado a serviço do bem.
Quem quer o capitalismo consumista dos ateus, que reduz a vida ao aqui e agora, e transforma todos em desesperados que, pensando que não sobrará para eles, correm para acumular para o nada?
Os ateus dizem que evoluímos, mas que não vamos para lugar nenhum; que a ciência pode tudo; que verdade é a palavra dos vencedores; que os mais fortes sobreviverão, e que é o direito natural deles.
Não! Mil vezes não!
Quero o mundo onde os fracos tenham direito ao Reino; onde os mansos herdarão a terra; onde os que choram serão consolados; onde os que têm fome e sede de justiça serão fartos; onde os que crêem na justiça estejam prontos a morrer por ela; onde os mortos ressuscitarão.
Quem quer um mundo explicado, onde tudo é virtude ou falha de um neuro-transmissor qualquer?
Quero um mundo onde a fé, o amor e a paixão curem, mudem histórias e construam caminhos! Onde os artistas tenham o que registrar!
Um mundo onde o sol nasça e se ponha, onde as estrelas, polvilhando o infinito, apontem um caminho, falem da esperança de uma grande e decisiva família, e que qualquer ser humano ao ver isso, não se envergonhe de falar: maravilha! Um Deus fez isto!
Mas não quero a teologia técnica...
Quero o Deus apaixonado dos cristãos, que abandona sua Glória e se faz gente, trazendo a divindade para a humanidade e, ressuscitado, ao voltar, leva a humanidade para a divindade!
Quero o Deus inquieto de Israel, o pai dos judeus, com quem é possível lutar.
Quero do Deus que se permite ser detido por um Jacó.
Quero o Deus chorão de Jesus de Nazaré, que mesmo a gente tendo brigado com Ele, nunca conseguiu brigar conosco.
O Deus Pai, Mãe e Filho que repartiu conosco o privilégio de ser!
Quero o mundo do medo do desconhecido, e do maravilhar-se com o desconhecido: o mundo do encanto.
Como disse o pai da filosofia moderna, o que se descobre ser ao pensar, precisa de um mundo para aterrissar, precisa que haja alguém que faça pensar valer a pena, alguém que, ao fim, é da onde se pensa, e se ele não existe, então nada existe, porque o que pensa não tem como pensar a partir de si.
Quero o mundo que ri da finitude; que desdenha das limitações; que resiste ao sofrimento; que olha para o infinito sabendo que nossa existência não é determinada pela morte ou por nossas impossibilidades; que não somos frutos de um acidente.
Quero mundo que se sustenta na fé de que ressuscitaremos, de que brilharemos como o sol ao meio dia; de que vale a pena lutar pelo bem; de que vale a pena existir!
"
Ariovaldo Ramos

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

2009

Resolvi postar um texto que escrevi no começo do ano... Na época achei que daria algum problema... Mas hoje acho que não... hehehe...

Que o ano de 2009 seja repleto de comunhão com Aquele que a cada dia me surpreende mais com tamanha Graça e Amor... que Ele nos abençoe...

P.S. Por favor, para aqueles que não entendem muito bem a Graça do nosso Deus, e gostam de seguir o V.T. à risca, vivendo de baixo da lei, não vamos apedrejar esse menino do texto só porque eu não gravei um CD em 2008, quem sabe em 2009... hehehe... brincadeirinha...

No último domingo estava dirigindo o momento de louvor na minha igreja, quando um menino subiu no palco e começou a orar comigo. Ele era um daqueles “profetas” que gostam de falar em nome de Deus. Logo começaram as previsões. Entre palavras em outra língua, ele me dizia, na minha língua, que via um CD. Eu gravaria um disco e Deus me usaria muito, se eu estivesse firme. Não me lembro as palavras usadas ao certo, mas essa do CD me marcou... Imagine eu, gravando...
Normalmente, eu teria ficado irritado com essa atitude. Ainda mais porque não vi esse menino ir orar com outras pessoas. Talvez com alguém que estivesse sentado lá no fundo, chorando porque seus filhos estão afastados de Deus; ou com alguma senhora que tem como ministério chegar mais cedo e limpar todas as cadeiras para eu e ele sentarmos; ou ainda quem sabe orar com alguém que não conhece a Jesus, que entrou ali naquela noite e não faz Idéia do amor que o Pai tem por ele. Mas esse “profeta” não. Sua “profecia” vinha direto para o “ministro de louvor”. Por favor...
Mas na hora fiquei quieto, e logo em seguida agradeci a Deus porque posso falar com Ele diretamente. Reconheci que sem Deus não há valor em mim, que sou como um vaso de barro que apenas serve para ser quebrado. Mas quando estou cheio do Espírito Santo meu valor é maior que qualquer bem nesse mundo, não por minha causa, mas por causa do Tesouro que está em mim. Depois lamentei por esse menino. Na verdade, ele precisa conhecer mais o caráter de Cristo e o que diz a sua Palavra; precisa ler sobre a vida de Paulo em atos, e ler as cartas que ele escreveu para as igrejas que fundou; precisa olhar para Jesus e aprender a controlar mais suas emoções, andando pela fé e não pelo que sente; e por fim entender que Deus é o único Todo Poderoso, que sabe todas as coisas e está em todo lugar. Porque dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. A ele seja a Glória para sempre! Amém.
Cansei de pessoas que desvalorizam a morte de Jesus; que não entendem o sentido do véu rasgado; que não conseguem se contentar com as Sagradas Escrituras; que necessitam ouvir outras vozes além da voz de Deus; que quando vão orar precisam subir num tablado de madeira que chamam de altar. Cansei dos que se dizem apóstolos, profetas, levitas, que criam uma classe hierárquica, onde o menor é aquele que serve. Falam e ouvem a respeito de Deus, mas não o conhecem, não andam com Ele e não conseguem vê-lo.
Nesse novo ano quero ser mais amigo de Deus, me relacionar com o Pai de tal forma que o meu caráter se torne igual ao dEle. Quero viver como Jesus viveu, orar como Ele orou, servir como Ele serviu, amar como Ele me ama e perdoar como Ele me perdoou. Vou procurar fazer mais e falar menos, aparecer menos, diminuir para que o Senhor cresça. Vou buscar relacionamentos que possa levar para vida eterna, valorizar momentos com minha família, fortalecer amizades. Terei mais momentos a sós, onde poderei admirar as noites enluaradas, o formato das nuvens, a beleza das flores, louvar e ouvir o Criador. Vou valorizar o silêncio e os meus momentos de leitura. Quero compor canções que falem de amor e exaltem a Deus. Quero passar mais tempo orando, e quando for orar, vou entrar no meu quarto e falar com meu Pai, que está em secreto, e então Ele me recompensará.

NELE, com quem tenho livre acesso através de Jesus, o Cristo...


João Haroldo Bertrand

07.01.2008


quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL

Aqui vai um artigo do Reinaldo Azevedo que saiu na revista Veja dessa semana... P'ra parar p'ra pensar... Que este natal seja o renascimento de poetas e poemas, de canções de amor, de sonhos, de jardins repletos de felicidade... Deus abençoe a todos...



QUE DEUS É ESTE?

"Boa parte das nações e dos homens celebra, nesta semana, o nascimento do Cristo, e uma vez mais nos perguntamos, e o faremos eternidade afora: qual é o lugar de Deus num mundo de iniqüidades? Até quando há de permitir tamanha luta entre o Bem e o Mal? Até Ele fechou os olhos diante das vítimas do nazismo em Auschwitz, dos soviéticos que pereceram no Gulag, da fome dizimando milhões depois da revolução chinesa? E hoje, "Senhor Deus dos Desgraçados" (como O chamou o poeta Castro Alves)? Darfur, a África Subsaariana, o Oriente Médio... Então não vê o triunfo do horror, da morte e da fúria? Por que um Deus inerme, se é mesmo Deus, diante das "espectrais procissões de braços estendidos", como escreveu Carlos Drummond de Andrade? Que Deus é este, olímpico também diante dos indivíduos? Olhemos a tristeza dos becos escuros e sujos do mundo, onde um homem acaba de fechar os olhos pela última vez, levando estampada na retina a imagem de seu sonho – pequenino e, ainda assim, frustrado...Até quando haveremos de honrá-Lo com nossa dor, com nossas chagas, com nosso sofrimento? Até quando pessoas miseráveis, anônimas, rejeitadas até pela morte, murcharão aos poucos na sua insignificância, fazendo o inventário de suas pequenas solidões, colecionando tudo o que não têm – e o que é pior: nem se revoltam? Se Ele realmente nos criou, por que nos fez essa coisa tão lastimável como espécie e como espécimes? Se ao menos tirasse de nosso coração os anseios, os desejos, para que aprendêssemos a ser pedra, a ser árvore, a ser bicho entre bichos... Mas nem isso. Somos uns macacos pelados, plenos de fúrias e delicadezas (e estas nos doem mais do que aquelas), a vagar com a cruz nos ombros e a memória em carne viva. Se a nossa alma é mesmo imortal, por que lamentamos tanto a morte, como observou o latino Lucrécio (séc. I a.C.)? Se há um Deus, por que Ele não nos dá tudo aquilo que um mundo sem Deus nos sonega?Evito, leitor, tratar aqui do mistério da fé, que poderia, sim, responder a algumas perplexidades. O que me interessa neste texto é a mensagem do Cristo como uma ética entre pessoas, povos e até religiões. Não pretendo, com isso, solapar a dimensão mística do Salvador, mas dar relevo a sua dimensão humana. O cristianismo é o inequívoco fundador do humanismo moderno porque é o criador do homem universal, de quem nada se exigia de prévio para reivindicar a condição de filho de Deus e irmão dos demais homens. É o fundamento religioso do que, no mundo laico, é o princípio da democracia contemporânea. Não por acaso, a chamada "civilização ocidental" é entendida, nos seus valores essenciais, como "democrática" e "cristã". Isso tudo é história, não gosto ou crença.Falo das iniqüidades porque é com elas que se costuma contrastar a eventual existência de uma ordem divina. Segundo essa perspectiva, se o Mal subsiste, então não pode haver um Deus, que só seria compatível com o Bem perpétuo. Ocorre que isso tiraria dos nossos ombros o peso das escolhas, a responsabilidade do discernimento, a necessidade de uma ética. Nesse caso, o homem só seria viável se isolado no Paraíso, imerso numa natureza necessariamente benfazeja e generosa. O cristianismo – assim como as demais religiões (e também a ciência) – existe é no mundo das imperfeições, no mundo dos homens. Contestar a existência de Deus segundo esses termos corresponde a acenar para uma felicidade perpétua só possível num tempo mítico. E as religiões são histórias encarnadas, humanas.Em Auschwitz, no Gulag ou em Darfur, vê-se, sem dúvida, a dimensão trágica da liberdade: a escolha do Mal. E isso quer dizer, sim, a renúncia a Deus. Mas também se assiste à dramática renúncia ao homem. Esperavam talvez que se dissesse aqui que o Mal Absoluto decorre da deposição da Cruz em favor de alguma outra crença ou convicção. A piedade cristã certamente se ausentou de todos esses palcos da barbárie. Mas, com ela, entrou em falência a Razão, humana e salvadora.Fé e Razão são categorias opostas, mas nasceram ao mesmo tempo e de um mesmo esforço: entender o mundo, estabelecendo uma hierarquia de valores que possa ser por todos interiorizada. As cenas das mulheres de Darfur fugindo com suas crianças, empurradas pela barbárie, remetem, é inevitável, à fuga de Maria e do Menino Jesus para o Egito, retratada por Caravaggio (1571-1610) na imagem que ilustra este texto – o carpinteiro José segura a partitura para o anjo. As representações dessa passagem, pouco importam pintor ou escola, nunca são tristes (esta vem até com música), ainda que se conheça o desfecho da história. É o cuidado materno, símbolo praticamente universal do amor de salvação, sobrepondo-se à violência irracional que o persegue.Nazismo, comunismo, tribalismos contemporâneos tornados ideologias... São movimentos, cada um praticando o horror a seu próprio modo, que destruíram e que destroem, sem dúvida, a autoridade divina. Mas nenhum deles triunfou sem a destruição, também, da autoridade humana, subvertendo os valores da Razão (afinal, acreditamos que ela busca o Bem) e, para os cristãos, a santidade da vida. Todas as irrupções revolucionárias destruíram os valores que as animaram, como Saturno engolindo os próprios filhos. O progresso está com os que conservam o mundo, reformando-o.Pedem-me que prove que um mundo com Deus é melhor do que um mundo sem Deus? Se nos pedissem, observou Chesterton (1874-1936), pensador católico inglês, para provar que a civilização é melhor do que a selvageria, olharíamos ao redor um tanto desesperados e conseguiríamos, no máximo, ser estupidamente parciais e reducionistas: "Ah, na civilização, há livros, estantes, computador..." Querem ver? "Prove, articulista, que o estado de direito, que segue os ritos processuais, é mais justo do que os tribunais populares." E haveria uma grande chance de a civilização do estado de direito parecer mais ineficiente, mais fraca, do que a barbárie do tribunal popular. Há casos em que é mais fácil exibir cabeças do que provas. A convicção plena, às vezes, é um tanto desamparada.Este artigo não trata do mistério da fé, mas da força da esperança, que é o cerne da mensagem cristã, como queria o apóstolo Paulo: "É na esperança que somos salvos". O que ganha quem se esforça para roubá-la do homem, fale em nome da Razão, da Natureza ou de algum outro Ente maiúsculo qualquer? E trato da esperança nos dois sentidos possíveis da palavra: o que tenta despertar os homens para a fraternidade universal, com todas as suas implicações morais, e o que acena para a vida eterna. O ladrão de esperanças não leva nada que lhe seja útil e ainda nos torna mais pobres de anseios.O cristianismo já foi acusado de morbidamente triste, avesso à felicidade e ao prazer de viver, e também de ópio das massas, cobrindo a realidade com o véu de uma fantasia conformista, que as impedia de ver a verdade. Ao pregar o perdão, dizem, é filosofia da tibieza; ao reafirmar a autoridade divina, acusam, é autoritário. Pouco afeito à subversão da autoridade humana, apontam seu servilismo; ao acenar com o reino de Deus, sua ambição desmedida. Em meio a tantos opostos, subsiste como uma promessa, mas também como disciplina vivida, que não foge à luta.Precisamos do Cristo não porque os homens se esquecem de ter fé, mas porque, com freqüência, eles abandonam a Razão e cedem ao horror. Sem essa certeza, Darfur – a guerra do forte contra o indefeso, da criança contra o fuzil, do bruto contra a mulher –, uma tragédia que o mundo ignora, seria ainda mais insuportável".

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

SERÁ QUE VOU REZAR?

"SOU UM ADMIRADOR de Gandhi. Cheguei mesmo a escrever um livro sobre ele. Estou planejando convocar os amigos para uma homenagem póstuma a esse grande líder pacifista e vegetariano. Pensei que uma boa maneira de homenageá-lo seria um evento numa churrascaria, todo mundo gosta de churrasco, um delicado rodízio com carnes variadas, picanhas, filés, costelas, cupins, fraldinhas, lingüiças, salsichas, paios, galetos e muito chope. O grande líder merece ser lembrado e festejado com muita comilança e barriga cheia!
Eu não fiquei doido. O que fiz foi usar de um artifício lógico chamado 'reductio ad absurdum' que consiste no seguinte: para provar a verdade de uma proposição, eu mostro os absurdos que se seguiriam se o seu contrário, e não ela, fosse verdadeiro. Eu demonstrei o absurdo de se celebrar um líder vegetariano de hábitos frugais com um churrasco.
Uma homenagem tem de estar em harmonia com a pessoa homenageada para torná-la presente entre aqueles que a celebram. Uma refeição, sim. Mas pouca comida. Comer pouco é uma forma de demonstrar nosso respeito pela natureza. Alface, cenoura, azeitonas, pães e água.
Escrevo com antecedência, hoje, 27 de novembro, um mês antes, para que vocês celebrem direito. A celebração há de trazer de novo à memória o evento celebrado.
É uma cena: numa estrebaria uma criancinha acaba de nascer. Sua mãe a colocou numa manjedoura, cocho onde se põe comida para os animais. As vacas mastigam sem parar, ruminando. Ouve-se um galo que canta e os violinos dos grilos, música suave... No meio dos animais tudo é tranqüilo. Os campos estão cobertos de vaga-lumes que piscam chamados de amor. E no céu brilha uma estrela diferente. Que estará ela anunciando com suas cores? O nascimento de um Deus?
É. O nascimento de um Deus. Deus é uma criança.
O nascimento do Deus criança só pode ser celebrado com coisas mansas. Mansas e pobres. Os pobres, no seu despojamento, devem poder celebrar. Não é preciso muito.
Um poema que se lê. Alberto Caeiro escreveu um poema que faria José e Maria, os pais do menininho, rir de felicidade: 'Num meio-dia de fim de primavera, tive um sonho como uma fotografia: Vi Jesus Cristo descer a terra. Veio pela encosta do monte tornado outra vez menino. Tinha fugido do céu'. Longo, merece ser lido inteiro, bem devagar...
Uma canção que se canta. Das antigas. Tem de ser das antigas. Para convocar a saudade. É a saudade que traz para dentro da sala a cena que aconteceu longe. Sem saudade o milagre não acontece.
Algo para se comer. O que é que José e Maria teriam comido naquela noite? Um pedaço de queijo, nozes, vinho, pão velho, uma caneca de leite tirado na hora. E deram graças a Deus.
E é preciso que se fale em voz baixa. Para não acordar a criança.
Naquela mesma noite, havia uma outra celebração no palácio de Herodes, o cruel. Ele tinha medo das crianças e mataria todas se assim o desejasse. A mesa do banquete estava posta: leitões assados, lingüiças, bolos e muito vinho... Os músicos tocavam, as dançarinas rodopiavam. Grande era a orgia.É. Cada um celebra o que escolhe. Acho que vou fazer uma sopa de fubá que tomarei com pimenta e torradas. E lerei poemas e ouvirei música. E farei silêncio quando chegar a meia-noite e, quem sabe, rezarei..."
De Rubem Alves (publicado pela Folha de S.Paulo, 27/11/2007)