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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

RECONSTRUINDO MUROS

"Seu povo reconstruirá as velhas ruínas e restaurará os alicerces antigos; você será chamado reparador de muros, restaurador de ruas e moradias". (Isaías 58:12)


Toda vez que leio a história de Neemias fico emocionado com a maneira como ele se compadece dos judeus sobreviventes do cativeiro, que ainda viviam em Jerusalém. Sinto-me pequeno quando leio sua oração em favor do povo, arrependido pelos pecados que a nação de Israel havia cometido.

Imagino que a sua vida era bem tranqüila, uma vez que ele trabalhava direto com o rei mais poderoso do mundo. Creio que Neemias não passava por necessidades, talvez nem se lembrasse de como era a cidade de seus antepassados.

Continuo a leitura desse livro bíblico e vou me constrangendo com as atitudes do personagem principal. O modo como Neemias se apresenta diante do rei Artaxerxes e expõe toda sua angústia é admirável. Tudo estava planejado! Cada detalhe já havia sido pensado. Neemias provou que não era só um homem de oração, mas também de ação.

Projeto aprovado pelo rei. Agora, seriam necessários trabalhadores para reconstrução dos muros de Jerusalém.

Como motivar um povo destruído moralmente?

Mesmo diante de adversidades e adversários, que queriam impedir a todo custo essa reconstrução, Neemias envolve todo o povo em seu projeto. Uma população humilhada e desmotivada se levanta e começam a reconstruir aquilo que simbolizava o poder e a identidade da cidade de Jerusalém.

É impressionante ver como um homem, dedicado a Deus e ao seu povo, consegue reerguer uma cidade desacreditada e envergonhada. Jerusalém voltara a ter uma identidade. O tempo de humilhação chegara ao fim. E tudo porque um homem, convertido a Deus e ao seu povo, saiu de sua zona de conforto e agiu em favor daqueles que tiveram sua dignidade roubada.

Sempre que leio a história de Neemias aprendo mais sobre a Missão deixada por Jesus. Mesmo sabendo que essa Missão nos foi dada quase quinhentos anos depois do tempo de Neemias.

Aprendo a me compadecer com aqueles que tiveram seus “muros” derrubados, sua identidade arrancada. Olho para as mazelas da sociedade e oro arrependido, clamando por perdão e por cura. Aprendo a importância de orar pelo próximo, e lutar pela dignidade do indivíduo. Trabalho, sem medir esforços, pela reconstrução espiritual da sociedade em que estou inserido.

Jesus veio a esse mundo, e junto com Ele veio o seu Reino. A morte e ressurreição de Jesus nos dão a oportunidade de vivermos submetidos ao Reino dos Céus. Não mais sob o domínio de um mundo destruído pelo pecado, mas dominado por um Amor capaz de apagar qualquer transgressão e reconstruir a cidade, deixando-a como era no início. Um belo jardim!


João Haroldo Bertrand

quarta-feira, 7 de julho de 2010

VINHO NOVO, ODRES NOVOS

“Nem se põe vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam”. Mt 9:17

Jesus não veio para implantar um novo sistema ou reformar a religião da época. Quando Jesus se referiu a odres novos não quis dizer que deveríamos transformar nosso sistema religioso em algo mais leve e espontâneo. A mudança que Jesus propôs não foi tornar nossas celebrações mais livres ou organizá-las em reuniões informais. Ao se referir a odres novos, Jesus não quis propor que, como igreja, nossos ajuntamentos fossem transferidos para as casas, lanchonetes ou qualquer outro lugar. Jesus nunca falou sobre uma reforma institucional ou sobre uma nova estrutura. Isso porque o Reino de Deus não é uma estrutura visível, mas sim uma realidade perceptível.

Certa vez, questionado acerca de quando viria o Reino de Deus, Jesus respondeu que o Reino de Deus não vem de modo visível, porque esse Reino está dentro de nós (Lc 17:20-21). Para se referir à Igreja presente no mundo, Jesus sempre usou como metáforas, objetos que não são visíveis, mas perceptíveis a sensação humana, como por exemplo, o sal, a luz e o fermento. Esses elementos em ação, não são estruturas visíveis, mas transformam o ambiente em que são colocados.

Odre novo não é uma referência a uma nova religião ou a uma liturgia menos ritualística, mas o odre se torna novo quando o Reino de Deus invade o coração humano e proporciona uma transformação de dentro para fora, trazendo um novo paradigma de pensamento e uma nova dinâmica de espiritualidade.

Dessa forma, não buscamos mais a Deus com o cumprimento da lei, mas mediante Jesus Cristo, que levou sobre si toda a nossa condenação quando morreu naquela cruz. Agora, com um coração voltado para a Graça e não mais para a lei, temos paz com Deus, pois voltamos a nos relacionar com o nosso criador, não porque cumprimos um ritual ou obedecemos a certas regras, mas porque Jesus, com sua morte e ressurreição, é uma ponte sobre o abismo que nos separava do Pai.

Portanto, todos somos sacerdotes e não precisamos mais ir até um lugar sagrado para nos encontramos com Deus. Todos os lugares que freqüentamos se tornam sagrados, porque o Espírito que consagra está em nós. Precisamos entender que uma experiência com Deus acontece dentro da alma humana e não em um lugar geográfico. O lugar da adoração é exatamente onde estamos, basta que adoremos em Espírito e em verdade.

Então, que venha o Vinho Novo, e que transforme a nossa mente, que inunde o nosso coração de Graça e Amor, de tal forma que tudo venha a nascer de novo. Que venha o Reino de Deus e com ele toda a justiça que já não mais nos atribui culpa alguma. Que os nossos pensamentos sejam moldados pelos pensamentos do Rei e a nossa espiritualidade vivida de Glória em Glória todos os dias com o Rei na Glória.

Vinho novo, odres novos, tudo novo!

João Haroldo Bertrand

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

"ONDE ESTÁS?"

O que aconteceu?
Não sinto mais a tua presença,
Será que coloquei tudo a perder?
Onde está a certeza que tinha do teu amor?
Onde está o amor que antes eu tinha pela tua criação?

O que aconteceu?
Sinto que não existe mais aquela paz,
Que sentimentos são esses que invadem a minha alma?
Por que não me alegro mais no viver?
Por que não consigo mais curtir o cantar das aves?

O que aconteceu?
Meus olhos se abriram para minha nudez,
Por que não confiei em tuas palavras?
Por que não acreditei em ti, Aba Pai?
Será que voltarei a ouvir teus passos?

Não sei se conseguirei mais olhar nos teus olhos.
Talvez tudo esteja perdido,
E a morte se torne meu destino.
Mesmo com medo, tua voz ainda me acalma:
"Onde estás?"

sábado, 5 de dezembro de 2009

CARTA DE DESPEDIDA

NOVOS TEMPOS E A MESMA FAMÍLIA

Lembro-me quando entrei pela primeira vez na Comunidade Ágape. O templo, que até então era uma garagem de caminhão, ainda exalava o cheiro de óleo presente no solo. Tudo era muito rústico e informal, e apesar de toda essa simplicidade eu tinha a certeza que havia encontrado o melhor lugar do mundo para se estar. O Amor que encontrei aqui havia me conquistado, e desde então a Comunidade Ágape foi o maior cenário da minha vida.
Aqui tive muitas alegrias e tristezas, vivi tempos de paz e de guerra, horas maravilhosas onde a voz de Deus parecia sussurrar bem leve em meus ouvidos e horas em que o céu parecia ter se tornado em bronze. Vi muita gente passar pela cerquinha branca e freqüentar os cultos que aqui aconteceram. Muitos chegaram e ficaram por aqui, outros vieram e saíram, mas a mensagem do Evangelho nunca parou de ecoar desse palco de madeira.
Foi aqui nessa Igreja que conheci meus melhores amigos, gente muito boa de Deus que estão marcados no meu coração e muito alegram o meu viver. Aqui aprendi a tocar, cantar e compor músicas que nasceram no coração de Deus e se transformaram na trilha sonora da minha existência.
Joguei muita bola nesses gramados, dei muita risada com muita gente, extrapolei nas piadas, chorei com as alegrias e com as tristezas. Durante todo esse tempo foram muitas as vezes que derramei minha alma diante de Deus oferecendo a Ele todo o meu viver. Entre muitos erros e acertos, aqui foi onde mais ouvi a voz daquele que hoje me chama para um novo tempo.
A partir do próximo ano se encerra esse kairós que começou quando pisei pela primeira vez nesse gramado. Nesse novo tempo em Curitiba quero dar continuidade a tudo que aprendi e vivi aqui. O lugar físico é diferente, mas vou continuar trabalhando para o mesmo Rei, e para que o seu Reino alcance o coração daqueles que ainda não tiveram um encontro com esse Amor que transformou vários pecadores e uma oficina de caminhão em uma Comunidade de Santos.
Sou muito grato a Deus por ter vivido aqui todo esse tempo e por cada pessoa que de alguma forma fez parte do que eu sou hoje.
Quando cheguei achava que nunca mais sairia daqui, mas hoje o que vejo é que depois de tudo o que passou, aprendi a amar de verdade a Comunidade Ágape, e mesmo que o Senhor me leve para bem longe, esse Amor vai continuar cravado em meu coração.
Sei que quando for embora, um pouco de mim ficará entre vocês. Mas melhor ainda é saber que quando estiver em Curitiba muito da Comunidade Ágape estará comigo e sempre serei uma extensão da nossa família.
Valeu Família Ágape. Toda Honra e toda Glória sejam dadas ao Senhor.

João Haroldo B. Bertrand

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

JOÃO BELARMINO DA SILVA


Há um ano atrás meu avô partia do nosso meio para encontrar com Jesus no Reino dos Céus... Ficamos com saudade, mas também com a certeza de que logo estaremos todos juntos diante do Rei dos reis...



Lá está o meu tesouro

Lá, onde não há choro

Onde todos

Cantaremos juntos

Hinos de louvor

ao Senhor



"Valeu Vô... Logo estaremos apostando corrida em ruas de ouro..."

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Música para a Carol

Na última sexta-feira foi a festa de 15 anos da minha prima... Eu e a Poli fizemos uma músiquinha para ela... Vai aí a letra para vocês... Parabéns Neguinha, Deus te abençoe cada dia mais!!!


O tempo passou
E as brincadeiras de criança já não cabem no armário.
Os sapatos cresceram,
E as pinturas pelo corpo dão adeus a infância.

Um novo mundo de incertezas se levanta,
E os sentimentos explodem no coração.
Responsabilidades, sede do irreal,
E a impressão de que o mundo não será o bastante.

E o tempo passou
E a voz dos nossos pais já não soam com razão.
As bonecas se foram,
E o espelhos denúncia que já não há mais criança

E o meu mundo antes rosa e real,
Se transformou todo em virtual.
MSN, Orkut e Twitter,
E a impressão de que tudo não será o bastante

As portas do mundo se abrem,
nascem sonhos e oportunidades.
Faça tudo o que sonhar,
Siga o seu coração,
Mas não se esqueça do Senhor,
O seu Criador.

O tempo passou...

João e Poli

quarta-feira, 15 de julho de 2009

UNIÃO HOMOAFETIVA

Talvez eu surpreenda muita gente ao declarar que sou a favor de leis que regulamentem a união entre os homossexuais.
Continuo acreditando que esse tipo de relação é contrário a natureza do homem e longe daquilo que Deus planejou para a humanidade: “Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou”. Mas a realidade é que, com lei ou sem lei, a união homoafetiva acontece cada vez mais em nossa sociedade, e os problemas decorrentes dessa união batem frequentemente às portas do Judiciário.
Não consigo imaginar Jesus indo às ruas, protestando contra a elaboração de leis que concedam direitos aos homossexuais, lutando para que eles sejam extintos da sociedade. Muito pelo contrário, penso que Jesus sentaria com essa gente, comeria com eles, ofereceria a Água da Vida, apresentaria um Amor tão grande, capaz de transformar corações que negariam a si mesmos e seguiriam o Mestre.
Será que não percebemos que enquanto lutamos contra esse povo, criamos uma barreira que os afasta cada vez mais da Verdade? Quando será que vamos entender que nossa luta não é contra carne ou sangue? É tão difícil compreendermos que a nossa maior arma é o Amor, e que esse mesmo Amor encobre multidões de pecados? Experimentamos desse Amor diariamente, mas não conseguimos transmiti-lo. Nunca, ninguém jamais o mereceu, mas de graça recebemos e devemos também de graça dar.
Um dia, alguns fariseus quiseram colocar Jesus à prova perguntando se era certo ou não pagar imposto a César. Talvez a resposta que os judeus quisessem ouvir fosse que não devessem mais pagar impostos, uma vez que eram por demais explorados pelos romanos, e se Jesus era realmente o libertador de Israel, que começasse a libertá-los dos impostos também. Mas Jesus decidiu não se ater com a questão, dando a simples resposta: “Dêem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Precisamos entender que Jesus não veio para uma revolução social ou para se tornar um líder político da época. Jesus veio para implantar seu Reino de Amor nos corações das pessoas, e para mostrar para elas que o acesso ao Pai seria possível de novo através de sua morte e ressurreição. Jesus nunca condenou ninguém, Ele apenas amou quem passava pelo seu caminho.
Talvez seja a hora dos evangélicos mudarem de lado. Chega de lutar contra a criação de leis que regulem a união homoafetiva, chega de lutar contra a legalização do aborto, ou contra as mazelas do nosso governo corrupto. Não precisamos protestar, não precisamos marchar para Jesus. Enquanto lutamos, os homossexuais continuam se casando, mulheres continuam fazendo aborto, pais continuam se voltando contra seus filhos, e filhos se voltando contra seus pais.
Está na hora de voltarmos ao primeiro Amor. Precisamos alcançar essas pessoas e amá-las de tal forma que haja transformação de vida. Pessoas transformadas pelo Espírito de Deus não se casam contra sua natureza, não fazem aborto, não se envolvem em corrupção. Pessoas transformadas têm um coração convertido a Deus e ao próximo.
Essa é a revolução que Deus espera de nós: a implantação do seu Reino através do Amor. Um Amor que converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais. Uma revolução que ocorrerá de dentro para fora, das famílias para a sociedade, de cada indivíduo até os confins da Terra. Quem sabe assim, a maldade do ser humano comece a dar lugar à bondade de Deus, e então, tudo volte a ser como era antes da nossa queda.
Mas por enquanto, vamos nos arrepender, pois o Reino de Deus está próximo.
É o que eu penso...
João Haroldo Bertrand